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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A websérie d'O Astro: preguiiiiiiiça

A Rede Globo tem certas dificuldades em assumir a necessidade de produzir conteúdo transmídia. São questões óbvias e razoáveis: o tamanho da empresa, a força que ela tem sobre o mercado de televisão e a margem de manobra pequena para se tentar novos formatos em novas plataformas.

Há duas semanas, se não me engano, entrou no ar, no Globo.com, a websérie de O Astro, a novela das 23h. Sob o signo de Ferragus promete, em sua página, cenas exclusivas, com o personagem de Francisco Cuoco unindo passado e presente em uma narrativa melancólica, onde será contada a linda história de amor entre Herculano e Amanda... Pera aí... mas a novela não é sobre a linda história de amor entre Herculano e Amanda? Sim... É isso mesmo.

É fato que não deixa de representar um dos tais 7 pontos de Henry Jenkins para conteúdo transmídia: a subjetividade. A subjetividade é a possibilidade da história ser contada através de diferentes pontos de vista. Isto vai enriquecer a experiência do espectador de modo que ele se envolva ainda mais com aquele universo. Não é o que acontece. Na verdade, a websérie é quase um resumão sobre a novela, narrado pelo personagem Ferragus através de um texto e alguns recursos de edição. Mas por que?

Minha opinião é que a idéia foi bacana. Um personagem característico do universo de O Astro foi destacado para dar sua versão dos fatos. Ferragus é ótimo para isso. É o mestre do protagonista e convive com todos os elementos sobrenaturais que são o diferencial da novela.

O primeiro erro foi apostar que o conflito central da novela deveria ser também o conflito central da websérie. Mesmo que a história na web orbitasse os acontecimentos da TV, ela deveria ter uma ação própria. Isto não foi feito e Sob o signo de Ferragus acaba soando apenas como comentários do coroa místico sobre os últimos capítulos da TV.

O segundo erro está relacionado ao primeiro. Baseado no fato de que a história principal é a mesma da TV, o conteúdo exibido na web é praticamente o mesmo da novela. As tais "cenas exclusivas" nem são percebidas. Afinal, o conflito é o mesmo, os personagens envolvidos são os mesmo. Só o que muda é ter a voz de Francisco Cuoco comentando o ocorrido.

Analisando isso, chego a uma conclusão. Na verdade, o primeiro erro aconteceu depois do segundo. Entendeu? Vou explicar.

Antes de alguém pensar na história que Sob o signo de Ferragus contaria, este alguém foi alertado: "mas atenção, não produziremos material extra para esta websériezinha". Quer dizer que o autor web teve que se virar com o material que tinha sobrando na edição da novela. Não dava para fazer nada muito melhor do que acabou indo para o site.

A tal margem de manobra é curta mesmo. Mas enquanto houver esse desprezo pelas novas mídias, nenhum grande grupo audiovisual vai conseguir sucesso produzindo conteúdo multiplataforma. O primeiro ponto é entender que uma websérie bem feita, original, com material produzido exclusivamente para ela, com equipe (mesmo que reduzida) e elenco voltados para isso, pode gerar ainda mais audiência. O bom conteúdo transmídia reforça o produto principal além de gerar audiência própria. Mas por enquanto, parece que, aqui no Brasil, ainda rola uma preguiça na hora de pensar sobre isso.



Rede Globo, Brazil’s biggest media conglomerate, is resistant in noticing the necessity for transmedia content. The need for it is obvious: it is a huge company, strong power over the TV market and not much originality in trying new media platforms.

Two weeks ago, Globo starting airing a new Webseries based on the 23h soap-opera The Star. “Under the Sign of Ferragus” promises, in its website, exclusive scenes about the main character’s love story with his romantic partner.

But wait. Isn’t the soap opera about… The main character’s love story with his romantic partner?

Henry Jenkins talks about subjectivity, and a webseries like this could explore a different point of view from that which is represented in the soap. This could enrich the viewers experience, giving him more depth in the story. But, truth be told, the webseries is just a big summary of what has happened on TV.

Our opinion is that the idea was great. A big character in the soap was chosen to give his version of the facts, and Ferragus is great for that. He is the main character’s master and lives daily with all the supernatural elements that make the soap different from its predecessors.

However, the biggest mistake was to think that the main conflict in the soap opera should be the main conflict in the webseries as well. Even if the main story in the webseries orbited around the story on TV, it should still have a story line of its own. This was not done in “Under the Sign of Ferragus”, and what it ends up feeling like is a mystical old man commenting on last night’s episode.

The second mistake is a consequence of the first. Since the main story is shared in both mediums, a lot of the content is exactly the same. To the point where the so-called “exclusive scenes” go by unnoticed, not seeming exclusive at all: the characters are the same, the conflict is the same. All that changes is the voice of who is telling the story.

Maybe, looking back, the first mistake followed the second, not the other way around. We’ll explain:

Before the creator of the webseries even had a chance to think of his story, his bosses told this creator: We are NOT shooting anything extra for your webseries, whatever the hell that is. The creator, then, had to deal with whatever material was left over from the editing room. Come to think of it, we don’t blame him for the material he came up with, seeing that he had so little maneuver space.

If the biggest media corporation in Brazil is not thinking about new medias, its hard to expect others to follow. The most important issue would be for them to understand that new medias can help with their “main” products. A good webseries, well done, original, with exclusive content, a crew (even if a small one) e cast dedicated to the series can help to build an even broader audience for whatever show they are trying to promote.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fan fiction II - Follow the Owl to Pottermore

Sete livros, o oitavo filme quase pronto e todo mundo pensou que uma das franquias de maior sucesso de todos os tempos estava chegando ao fim.

Mas a autora J. K. Rowling anunciou o novo passo transmídia de Harry Potter: o portal Pottermore.

A princípio vai ser um espaço onde novos elementos serão revelados e acrescentados ao universo do bruxo mais pop do planeta. E se o Paulo Coelho pretende retomar este posto (o que eu acho difícil) é bom ele prestar atenção na fala da autora no vídeo abaixo.

Pottermore é uma online reading experience com adições cruciais, sendo a principal delas você, o leitor e fã de Harry Potter. Embora pouca coisa esteja sendo confirmada por enquanto, me parece claro que, além de expandir a experiência que os fãs tiveram ao longos dos livros e filmes, Rowling vai dar espaço para os leitores se tornarem também escritores de sua franquia.

Isto é uma coisa que já acontece há bastante tempo na internet. Existem diversos sites especializados na produção e divulgação de conteúdo produzido por fãs de Harry Potter, onde cada um cria versões, personagens e histórias baseados no universo proposto pela autora.

A jogada é, além de saciar os fãs, unificar a produção de fan fiction de Harry Potter. O portal já se mostra extramente bem planejado. Ele será lançado em outubro de 2011. Mas alngus poucos sortudos poderão ter acesso e ajudar no desenvolvimento já no dia 31 de julho. Para isso, basta seguir a coruja. ;)

Pottermore trás inúmeras possibilidades para franquia, todas elas apoiadas pela consistência dos fãs.


Seven books, the eighth movie almost ready and everyone thought that one of the most successful franchises of all times was coming to an end.

But the author J.K. Rowling recently announced Harry Potter’s new transmedia action: the Pottermore portal.

At first, it’s a place where new elements will be revealed and added to the world’s most pop wizard’s universe. And if Paulo Coelho ever wishes to regain that post (which we find very improbable), he should start paying attention on what the author has to say in this video.

Pottermore is an online reading experience with crucial additions, the most important one being you, Harry Potter reader and fan. Although not much has been confirmed at this point, it seems obvious that, not only will the portal expand the experience fans had throughout the books and movies, Rowling will also give space to the readers so that they too can become authors in the franchise.

This has happened for a long time on the web. There are numerous websites specialized in the production and spreading of the content made by Harry Potter fans, where each person creates their own versions of the stories, new characters and new stories altogether based on what the author has offered us.

The catch is, not only will this fulfill the fans, this portal will unify Harry Potter fan fiction. The portal has already showed itself well planned. It will be launched October/2011. But some lucky ones will be able to access and contribute to the development of the portal starting July 31st. To be able to do that, all they have to do is follow the owl.

Pottermore brings numerous possibilities to the franchise, all those based on the fans consistency.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Clandestinos - Entretenimento, nacional e transmídia!




Não sei se você está assistindo o programa Clandestinos, que está passando na TV Globo às quintas, depois da Grande Família. Se não está, deveria. Fora todo o cuidado técnico, o roteiro amarrado e os diálogos divertidos (características raras na TV), ele é um excelente exemplo de conteúdo nacional transmídia. Genuinamente transmídia. E genuinamente nacional!

Vamos à gênese do projeto. João Falcão, consagrado diretor de teatro, resolveu montar uma companhia com jovens atores e, para isso, abriu testes. Eles esperava receber 30 candidatos... 50 no máximo. Acontece que cerca de 2000 atores de todo o Brasil apareceram no Rio de Janeiro para fazer o teste e participar da tal companhia.




Imagina a surpresa do João? Mas foi aí que ele teve a primeira atitude que faria do Clandestinos (que nem sabia que ia existir um dia) um conteúdo transmídia. Ele pegou uma câmera e pediu para alguém registrar depoimentos na fila do teste.

Os atores entravam no teatro e tinham 90 segundos para mostrar alguma coisa. Claro, tudo documentado por Falcão. Alguns atores foram selecionados para a companhia e participaram de algumas oficinas. Sempre filmadas. Depois, o diretor finalmente selecionou alguns que estariam no primeiro projeto do grupo: a peça de teatro Clandestinos. Na criação da peça estava o potencial transmídia do conteúdo que viria. A história era sobre "esse bando de moços e de moças que sonha nessa cidade em ser artista".




Perceberam o potencial transmídia disso? Imagina quantas histórias existem nisto... A riqueza do universo que pode ser explorado... A complexidade dos personagens e os diversos pontos de vista que eles trazem.

Pois bem... João montou a peça e está preparando um documentário sobre todo o processo. Agora em 2010 foi gravada a série de TV. A série é baseada não na peça, mas justamente no processo. Quer dizer, não trata-se de uma adaptação do teatro para a TV, mas um desdobramento multiplataforma do projeto Clandestinos.Por isso, não é apenas transmedia, é também transmedia storytelling.

Parou aí? Não... o Fantástico está exibindo quadros em que repórteres, baseados nas histórias dos personagens da série ficcional de TV, procuram o real caminho que os atores trilharam até chegar ali. E, na maioria das vezes, as histórias são bem parecidas.





Quer dizer... De uma peça de teatro, criada a partir de um "evento", elaborou-se um documentário, uma série de TV ficcional e uma série de TV de não ficção... Dentro da nossa realidade de entretenimento, é um caso de sucesso de conteúdo transmídia. Não foram precisos sabres jedis, bruxinhos adolescentes, ou homens azuis para se criar algo que pudesse transitar através de tantas mídias.

João Falcão está conseguindo explorar ao máximo a capacidade de sua criação. Ele conta as histórias aproveitando as qualidades que cada plataforma lhe dá.